Banhos frios de manhã

Eu olho para as minhas mãos agora e me pergunto se são reais.

Imediatamente faço isso com todas as coisas ao redor, numa sensação de que há um algo mais sobre nossa ‘realidade’ para se descobrir. Os pensamentos antes perdidos na imaginação, naquele pingue-pongue entre os arrependimentos do passado e os planos do futuro, agora só aqui. Só aqui e mais nada.

A todo momento uma reflexão mais aprofundada tenta despontar em minha mente e tirar minha atenção do aqui, do agora. Mas elas se desprendem como fumaça se não lhes dou importância.

Eu já tinha assistido Matrix, mas foi só da segunda vez; quando assisti toda a trilogia, e depois de já ter assistido Inception; que pude realmente compor ideias a respeito. Nesse leite-com-toddy vai também o filme Click. E o que todos eles tem em comum? Todos falam de uma realidade paralela; mas tento ir mais além, ignorando os possíveis deslizes em um raciocínio – ou filosofia, chame como quiser – que possa eventualmente acontecer.

É como fazer algo que temos medo, tomar banho gelado – ou de chuva – é correr descalços ou simplesmente correr. É simplesmente ser/estar. To be. Acho que mais estar que ser, pois tudo é estado, mesmo nosso mais intrínseco traço de personalidade. Tudo isso é estar na realidade, fora da matriz, fora do sonho que está dentro de um sonho, longe do controle remoto.

Acordo com o despertador mas ponho os pés diretamente sob o chão frio, imediatamente. A dívida, a dúvida e o talvez, eu não deixo incomodar os três minutos de fria caminhada até o ponto de ônibus. E nem o sol quente e o suor escorrendo tiram o prazer de um dia calmo. Mentalmente estar aqui, sem julgamentos, sem bem e sem mal.

O trio de películas relacionados acima questionam o estar ‘preso’, liberdade mesmo é poder sentir. Sentir a dor e o prazer. Matriz e ‘A Origem’ questionam a própria realidade, e a realidade além dessa, e assim sucessivamente. Apenas na realidade somos livres. Apenas quando libertos das doutrinas, dos medos e do egoísmo.

O terceiro filme põe um Se na conversa, um Se dolorosamente descoberto pelo protagonista como um meio rápido pra infelicidade. Um Se baseado em poder saltar os momentos desgostosos, os momentos que verdadeiramente dão sabor às coisas e à vida.

Coço o braço, ouço o barulho das teclas sendo pressionadas freneticamente e ouço meus colegas de trabalho indo embora. Terminou o expediente e tenho que puxar o carro.

 

lucastamoios

 

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