Agir Impulsivo

Ficamos mais hábeis na coisa. Fica extremamente difícil desfazer o hábito. E do hábito, o vício.

A maior desgraça da existência humana é o Agir Impulsivo.

Todo o querer, todo o desejo de mudança, o desejo de ser melhor: tudo some com uma mísera atitude impulsiva. Tenho a forte impressão que os antigos tentaram nos prevenir quanto aos dejetos de existência que levariam a tal agir e os denominaram pecados. Sei que parece obsoleta e conservadora a ideia, principalmente se levarmos em conta todos os preceitos que a acompanham; mas colocando de lado todas as entidades divinas e a culpa envolvida no processo, temos o mais autêntico guia de vivência nos escritos antigos.

É mais claro pensar em Impulso quando situamos em nosso contexto. Acordar. De manhã. Uma segunda-feira. O primeiro pensamento que se passa pela nossa cabeça, “Estou engordando, prometi a mim mesmo no churrasco de sábado que começaria a correr todas as manhãs a partir de hoje”, olha-se no relógio, sete horas. Maldito despertador. Quem vence? O desejo racional da mente ou o desarranjo da alma? A razão ou a preguiça? Sim, a preguiça, o sexto pecado capital.

Segundo fontes não-sei-exatamente-o-quanto confiáveis*, a definição de pecado surgiu com a necessidade de controlar os vícios e prevenir males como a depressão e o desequilibrio, mais tarde o catolicismo aderiu à ideia e inseriu novos conceitos para ‘aprimorar’ a técnica. O problema é que o pecado começou a ser visto como algo banal, objetivado: não se peca visando ir para o céu, e se você pecar, pode pedir perdão [ou parcelar seu perdão em algumas suaves prestações em algum tipo de mercado santo]. Pecado e culpa passaram a ser sinônimos na maioria dos casos.

Então que não adianta nada se sentir culpado e continuar agindo da mesma forma? É exatamente o que faze’mos’. Daí que um simples impulso por ‘pecar’, antes facilmente contido começa a tomar forma e reforçar as sinapses da nossa mente, ficamos mais hábeis na coisa. Fica extremamente difícil desfazer o hábito. E do hábito, o vício.

O que era uma simples ação do dia-a-dia, quando nos damos por conta, tentamos não fazer, ‘pensamos’ em não fazer. Pensamos. Depois de formado o pensamento, é o diabo. Cada segundo, o que vem a mente é não fazer, mas o imperativo ‘fazer’ nos diz ao íntimo para executar justamente o contrário. Seguimos tentando o auto controle, vencer o vício, mas o caso, é que quando se tenta vencer a vontade, é porque ela já tomou forma no ser e começou a incomodar.

Inércia é a palavra. Um estado estacionário que o impulso nos remete ao ‘pecado’ sempre que pensamos nele. Mesmo que o pensamento seja não fazer. Acredito que esse problema esteja arraigado com mais força em algumas pessoas, da mesma forma que há os menos propensos a sofrer desse mal; deve haver, inclusive, quem não tenha nenhum impulso qual descrevêramos, em alguma galáxia não tão distante…

pecado

*Wikipédia

 

lucastamoios

 

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